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domingo, 10 de agosto de 2014

Nezahualcóyotl, o rei sábio de Texcoco (1429-1472)

Cada cidade do Vale do México detinha o seu próprio soberano e dinastia específica, embora existisse o tlatoani (imperador asteca), senhor de Tenochtitlán, que se destacava nesta conjuntura social. No início do século XV, o Império Asteca ainda percorria um caminho promissor de expansão territorial, procurando alcançar o seu auge em breve.
Neste contexto de indefinição, encontramos Texcoco que era uma cidade-estado independente que viria a ser governada por Nezahualcóyotl (ou Nezahuatlcóyotl, como já havíamos designado num artigo anterior), soberano que se distinguiria dos demais pela sua visão política e cultural.
Teria nascido em Texcoco, talvez por volta de 1402, e era filho de Extlilxóchitl, sexto senhor dos chichimecas e soberano daquela cidade (1409-1418), e de Matlalcihuatzin, filha do segundo imperador asteca e senhor de Tenochtitlán - Huitzilíhuitl.
Apesar de ter acedido a uma educação cultural muito válida, o príncipe não conheceria uma juventude de sonho, chegando a ter de abandonar a sua cidade natal, pois seria perseguido pelo usurpador Tezozómoc (senhor dos tepanecas da cidade de Azcapotzalco que se apropriara de Texcoco, matando o pai de Nezahualcóyotl em 1418 e governando até 1427, ano do seu falecimento) e pelo seu filho sucessor e déspota - Maxtla. Ambos soberanos procuraram armar-lhe várias ciladas e emboscadas para o neutralizar, mas Nezahualcóyotl, muitas vezes advertido antecipadamente pelos seus seguidores ou através do disfarce que adoptava para recolher informações no interior das povoações, soube sempre tomar a decisão mais cautelosa ou sensata para não dar esse prazer aos seus inimigos que haviam derrubado ilegitimamente o seu pai do trono de Texcoco.
Mesmo assim, não deixará de lutar por aquilo que deveria ser seu por direito. Em breve, organizaria uma força vasta para enfrentar a tirania tepaneca de Maxtla. Nezahualcóyotl consegue vitórias importantes em Otumba e Acolman, antes de tomar Texcoco em 1429, a cidade-estado que sempre reivindicara como sua por herança paterna.
Firmou um acordo com Itzcoatl (4º tlatoani de Tenochtitlán/imperador asteca) e Totoquilhuaztli (senhor de Tlacopan) e assim através da conjugação dos esforços militares destes três soberanos conseguiriam destruir a poderosa cidade tepaneca de Azcapotzalco e apoderar-se das suas províncias tributárias, acabando Maxtla por ser morto, muito provavelmente às mãos de Nezahualcóyotl que assim vingara a morte do seu progenitor. Neste episódio, formou-se então a Tripla Aliança, uma onda de compromissos firmada entre estas três cidades-estado já discriminadas, o que enriqueceu certamente a causa imperial cujo centro natural acabaria por se situar em Tenochtitlán, sobretudo pelo destaque e desenvolvimento que conheceria nas décadas seguintes.
Nezahualcóyotl reinou, por mais de 40 anos e com sabedoria, a cidade de Texcoco. Para além dos seus sucessos no campo militar, este soberano tornou-se num claro modelo de liderança, espelhado em vários vectores da sua governação:

  • Exibiu manifestações poéticas (e filosóficas), evidenciando ainda uma grande paixão pela natureza. Conservaram-se miraculosamente 30 composições poéticas da sua autoria, nas quais se abordam várias temáticas: a fugacidade da vida e a inevitabilidade da morte, o além-vida, a valorização da flor e do canto, o enigma do homem face ao Criador. Nos seus poemas, apresenta-nos ainda a sua visão sobre a filosofia da vida e a sua dimensão ética.
  • Fomentou as reuniões de intelectuais, 
  • Mandou cultivar jardins botânicos e zoológicos.
  • Privilegiou intervenções urbanas e construções de importantes edifícios, demonstrando um interesse notável pela arquitectura. Assim foram erguidos a seu mando: palácios, templos, monumentos, portentosos aquedutos, calçadas... Seria mesmo ele o responsável (ou mentor) pela construção dum notável dique de pedra e madeira com a extensão de 16 Km em Tenochtitlán, a pedido do tlatoani Moctezuma I (este sucedeu a Itzcoatl em 1440), com a finalidade de impedir inundações na capital asteca que se encontrava rodeada pelo Lago Texcoco.
  • Instituiu conselhos ou organismos próprios inerentes à instrução pública, guerra e fazenda.
  • Expediu mais de 80 leis, exigindo a lealdade ao Estado e a prática de bons costumes.
  • Promoveu, sempre que possível, o respeito pela vida animal e pelas árvores.
  • Desenvolveu uma teoria inovadora de que só existiria um Deus verdadeiro, e não múltiplas divindades como reivindicava habitualmente a tradição religiosa adoptada naquela região, ao qual lhe concedeu o nome de Tloque Nahuaque. Era pois monoteísta, contrariando a tendência generalizada no continente americano pré-colombiano.
  • Demonstrou um perfil misericordioso e generoso, embora não tolerasse os delitos mais graves, sobretudo aqueles que eram cometidos pela alta nobreza ou pelos círculos mais próximos que deveriam pois dar o exemplo.

Ao fim de 70 anos de intensa actividade, faleceria em 1472 na terra que o viu nascer, crescer, aprender, lutar, reinar, engrandecer, ensinar e deixar este mundo - Texcoco. Apesar de nunca ter sido imperador asteca (Nezahualcóyotl nem sequer teria raízes astecas, pois era oriundo da tribo dos acolhuas), visto que jamais governou a grande cidade de Tenochtitlán, contribuiu para que se inaugurasse uma época de esplendor no Vale do México. 
A sua elevada sabedoria traduziu-se num caso peculiar, porque normalmente os tlatoanis de Tenochtitlán e demais soberanos das cidades-estados do continente americano privilegiavam sobretudo as políticas belicistas que se baseavam na expansão territorial.
Nezahualcóyotl não foi pois um rei vulgar duma cidade-estado da América Central, ele serviu a causa do seu povo com grandeza, heroísmo e sapiência. Demonstrou que o prestígio também poderia ser alvejado no plano cultural.




Imagem nº 1 - Retrato de Nezahualcóyotl, soberano de Texcoco, cuja erudição surpreendeu muitos dos investigadores europeus. Poeta, Filósofo, Humanista, Legislador, Arquitecto, Naturalista e Estadista.





Imagem nº 2 - Estátua do rei-poeta e legislador na cidade mexicana que herdou o seu nome.
Retirada de: http://www.flickriver.com/photos/30453485@N03/3463366514/, (foto da autoria de José Reséndiz em Neza).


Um  Pequeno Poema de Nezahualcóyotl sobre o louvor à Natureza

Eu amo o canto do rouxinol, 
Ave de quatrocentas vozes. 
Eu amo a cor de jade, 
e o enervante perfume das flores, 
mas o que eu mais amo é meu irmão, o homem.




Imagem nº 3 - A Natureza venerada e estimada por Nezahualcóyotl.
Retirada de: http://algarve-saibamais.blogspot.pt/2009/11/verde-e-cor-da-natureza.html




Referências Consultadas:

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A antropofagia como expressão dos povos americanos pré-colombianos

O canibalismo não foi um fenómeno inédito ou originário da América pré-colombiana, aliás registos da sua prática já eram conhecidos para as mais variadas etapas da história da Humanidade, independentemente da localização geográfica.
Reportando-nos ao caso europeu, o canibalismo terá sido frequente no Período do Neolítico. Mas encontramos também testemunhos na Idade Média. Por exemplo, quando os cruzados sitiaram Maarat (1098) no âmbito da Primeira Cruzada também recorreram ao canibalismo, talvez não em jeito de fanatismo religioso (como alguns cronistas árabes tenderam a apontar), mas sim devido à fome que se fazia sentir depois dum longo e penoso trajecto, sem o usufruto de recursos alimentares suficientes. Também a grave fome de 1315-1317 que afectou a Europa, propiciou a existência de actos daquela natureza. Registos de antropofagia prolongam-se ainda até à actualidade, embora com uma incidência bastante reduzida ou até quase nula.



Imagem nº 1 - O canibalismo em Maarat, no decurso da Primeira Cruzada.



No caso das Américas, antes da chegada dos espanhóis que procederam à colonização e aculturação destes povos, podemos afirmar que o canibalismo não se devia apenas à necessidade alimentar. Existiam outras motivações que levavam astecas, maias e incas (e os outros povos de menor dimensão) a enveredar por esta prática.
A sua religião politeísta tinha de ser alimentada, os seus variados deuses naturais deveriam ser adorados e, nesse sentido, sucediam-se inúmeros rituais de sacrifícios humanos, nomeadamente sobre os seus prisioneiros de guerra. O coração das desgraçadas vítimas era extraído à força e depois exibido ao alto de forma a mostrar a nova oferenda aos deuses que assim os poderiam proteger, garantido-lhes dias mais prósperos no futuro. Os corpos seriam posteriormente cozidos e repartidos por todos os participantes presentes no ritual que assim se alimentariam da carne do sacrificado no banquete entretanto realizado. Neste prisma, o cosmos era interpretado como um predador que se alimentava de vidas humanas. Aqui a prática canibalista integrava-se efectivamente num ritual destinado a agradar às múltiplas divindades.
Para além da conotação religiosa, os guerreiros indígenas acreditavam ainda que ao devorar o corpo do inimigo seria uma forma de se apoderar da sua força e do seu espírito, granjeando ao antropófago uma capacidade física e interior (isto é, força, inteligência e bravura) bastante superior. 
É difícil estimar uma média anual de sacrifícios humanos na América pré-colombiana, mas cremos que o número seria bastante elevado, pois a prática era bastante divulgada naquele continente até então desconhecido pela restante população mundial.  Aliás, no Império Asteca há registo de que teriam ocorrido, pelo menos, sacrifícios de milhares de pessoas em cada ano. Existiam inclusive as guerras floridas que eram acordadas entre as cidades mesoamericanas, não com o intuito principal de infligir a morte em batalha, mas sim de deter o maior número de prisioneiros de ambos os lados que seriam posteriormente sacrificados aos deuses.
O canibalismo na América começará a ser combatido com a chegada dos novos colonizadores e missionários espanhóis que ficaram horrorizados perante este costume tão aberrante. O Cristianismo substituirá as crenças politeístas, e repudiará definitivamente o canibalismo. 



Imagem nº 2 - A antropofagia na América pré-colombiana.


Astecas praticavam canibalismo, diz estudo

Imagem nº 3 - O canibalismo era muito frequente no império asteca.




Referências Consultadas:


Os Astecas e o seu Império

Contexto Temporal e Geográfico

Desconhecem-se as origens exactas dos astecas, mas é certo que esta civilização terá começado a alcançar notoriedade a partir do século XIII, iniciando uma expansão desde o Norte do México em direcção aos territórios localizados mais a sul (chegam inclusive a alcançar o Vale do México). O seu apogeu prologou-se até o século XVI, altura da chegada dos conquistadores espanhóis que ditou o fim do seu ciclo hegemónico. 
Se no caso dos Maias, a utilização do termo império poderá ser algo discutível, não obstante a partilha de tradições religiosas, sociais e culturais semelhantes entre as cidades-estado independentes, o mesmo não podemos dizer dos astecas que criaram indubitavelmente, em termos políticos, um Império com mais de quinhentas cidades, talvez inicialmente habitado por 5 ou 6 milhões de habitantes (embora este número aumentasse talvez até aos 10 milhões no ano de 1500, muito devido às novas conquistas), e quase todo ele sujeito ao controlo inequívoco dum imperador.





Mapa nº 1 - O Império Asteca, cuja capital viria a ser Tenochtitlan, talvez construída no século XIV (em 1325 ou em 1345).



A Sociedade e Economia Asteca

Apesar da clara autonomia de várias cidades, era o soberano de Tenochtitlan, que assumia o maior protagonismo, sendo o seu papel associado ao dum imperador. Era ele que comandava os exércitos confederados de forma a alargar as suas fronteiras e submeter os povos vizinhos. Como a guerra era uma acção constante dos astecas, haveria pois alguma possibilidade de ascensão social para os seus combatentes que mais se distinguissem no palco de batalha. O soberano era pois um chefe político, militar e religioso, e seria eleito por um conselho de nobres (normalmente a escolha recaía sobre um dos familiares mais próximos do rei antecessor).
Para além do tlatoani (soberano ou imperador), tínhamos o cihuacoatl que desempenhava funções semelhantes à dum primeiro ministro e juiz supremo, podendo ainda exercer o ofício de comandante militar e de regente no caso de ausência do imperador. O seu papel poderia também assemelhar-se ao de um conselheiro pessoal do imperador.
Em seguida, destacavam-se os nobres (detinham títulos, cargos e terras) e sacerdotes (reguladores das forças naturais; também se pode falar em nobreza sacerdotal tal como já havíamos feito em relação ao caso dos Maias) enquanto classes privilegiadas. Estes tinham evidentemente mais hipóteses de aceder à cultura sobretudo assente na religião e nas artes. Para além disso, estavam isentos do trabalho agrícola e do pagamento de tributos, tinham direito a tribunais específicos para a sua categoria, podiam frequentar as escolas especiais (calmécac) e ocupar cargos públicos de grande nomeada.
Os comerciantes também detinham uma posição interessante nesta hierarquia, pois abasteciam as regiões com produtos de luxo e ainda realizavam espionagem ao serviço do governo asteca. Levavam as contas aos seus senhores, pagavam elevados impostos e chegaram a adquirir terras próprias. Os mais bem sucedidos chegaram a ingressar na corte, outros foram admitidos na nobreza. Também tinham acesso a tribunais especiais, e podiam ainda trazer insígnias ou adorar uma divindade específica que protegesse a sua actividade que, no caso asteca, se revelou de maior importância.
O estado popular, o núcleo mais numeroso da sociedade asteca, estava sujeito a tributos e corveias, destacando-se neste sector os casos dos camponeses, artesãos, ourives, joalheiros, escultores, lapidadores, escultores, pintores, alfaiates, oleiros, escribas, talhadores de madeira, pedreiros, curtidores, fabricantes de facas...
Na base, estavam novamente os escravos, privados da liberdade por captura em guerra (muitos destes escravos cativos poderiam vir a ser sacrificados em rituais), pela prática de diversos delitos (por exemplo: roubo, traição ou assassinato), dívidas, venda ou rapto. Eram bastante utilizados na lavoura, construção de edifícios, transporte de mercadorias, no artesanato e nos serviços domésticos. 
No âmbito económico, a agricultura tinha um peso determinante, e por isso, devemos destacar o cultivo dos seguintes produtos: milho, legumes, pimentos, cacau, algodão e tomates. Dedicaram-se igualmente à criação de perus e cães, bem como à pesca e caça de aves aquáticas. Os tributos e também o comércio que era realizado permitiam o enriquecimento das trinta e oito províncias do império. O mesmo se podia dizer dos despojos obtidos nas campanhas militares vitoriosas.
A religião era naturalmente, tal como os restantes povos americanos pré-colombianos, de carácter politeísta. Aqui devemos destacar as seguintes divindades que eram alvo de adoração: Quetzalcoatl (Deus cultural e civilizador dos astecas), Huitzilopochtli (Deus do Sol, da Noite, do Estado e da Guerra; padroeiro de Tenochtitlán; era possivelmente a divindade tribal mais preferida),  Tlaloc (Deus da Chuva),  Tlazolteotl (Deusa do Amor), Tezcatlipoca (Deus do Céu Nocturno e das Forças Obscuras), Huehuetéolt (Deus Ancião ou Deus do Fogo), Xipe Teotec (Deus da Fertilidade, da Vegetação e dos Ourives), entre muitos outros... Tal como no caso dos Maias, embora estes adoptassem designações distintas para os seus ídolos, denotamos uma clara associação da religião às forças naturais e evidentemente também, neste contexto, eram oferecidos sacrifícios humanos (até o canibalismo, prática comum destes povos, se poderia considerar uma expressão ritual) o que normalmente acontecia com os cativos de guerra. A vida humana tinha pois o poder e o dever de alimentar a vida das suas divindades, aliás existia o argumento religioso de que os sacrifícios eram necessários para manter a vida do Sol (e demais astros). Também as capacidades de adivinhação ou profecia dos sacerdotes eram bastante apreciadas pela sociedade.



Imagem nº 1 - Quetzalcoatl, importante divindade asteca, simbolizado ainda com a presença duma serpente emplumada. 


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Imagem nº 2 - Os astecas realizavam com frequência sacrifícios humanos de forma a agradarem aos seus deuses.



Imagem nº 3 - A civilização asteca conseguiu incrementar a actividade comercial, obtendo maior destaque neste sector comparativamente com os Maias que menos se evidenciaram nesta iniciativa económica.
Foto: Wikipédia



Imperadores Astecas

No século XIV, e após a fundação de algumas importantes cidades, houve a necessidade de se eleger um chefe único (o tlatoani) que se destacaria entre quatro chefes principais. É evidente que as cidades-estado tinham o seu próprio soberano, contudo a personalidade do tlatoani confere-lhe um estatuto próximo do imperial. O primeiro imperador, embora seja evidente que devemos ter o máximo de cautela quando utilizamos esta terminologia dada a autonomia de algumas regiões, terá sido Acamapichtli que assumiu o poder em 1372. Todos estes imperadores tiveram a necessidade de expandir os seus domínios, conquistando gradualmente vários territórios.
Em 1428, é firmada a Tríplice Aliança, uma aliança entre três dos principais estados astecas: Tenochtitlán (a cidade mais importante), Texcoco e Tlacopan, alcançando um domínio bastante abrangente na região central do México, cenário que favoreceu ainda mais as ambições imperiais.
O Império asteca contava ainda com uma vasta rede de agentes tributários e companhias militares, os primeiros garantiam a canalização das verbas destinadas ao Estado, os segundos garantiam a ordem e procuravam alargar as fronteiras, derrotando os povos vizinhos.
Sobre a complexidade desta entidade imperial, destacamos ainda a seguinte leitura de Ángel Sanz Tapia:

 "O controlo político dum império tão extenso como este não era uniforme, pois existiam zonas não submetidas aos Astecas (Tlaxcala, Teotitlán, Yopitzinco) e em muitas outras a pressão asteca variava entre a simples aliança e a total dominação. Em zonas fronteiriças ou turbulentas, mantinham-se guarnições permanentes, postos estratégicos militares, enquanto as regiões que aceitavam o poder de Tenochtitlán conservavam a sua forma de governo, as suas dinastias locais, e a sua própria estrutura social, ainda que tenham tolerado a presença de funcionários astecas, administrativos, fiscais ou militares. Além disso, todos os territórios do império sujeitavam a  sua política exterior às directrizes astecas, em obrigados a aceitar o culto ao deus Huitzilopochtli e, sobretudo, contribuíam para o enriquecimento da capital asteca (Tenochtitlán) mediante o pagamento de tributos".



A capital Tenochtitlán, construída sobre uma ilhota localizada a oeste do lago Texcoco, era uma cidade rica. Existiam ruas, canais, um aqueduto (onde se recolhia a água), diques (para evitar inundações por parte das águas do lago), pontes, um centro cerimonial com templos dedicados a vários deuses, um mercado, casas familiares, os palácios do imperador e as mansões dos nobres. Recorde-se que o Palácio de Moctezuma II correspondia a uma planta quadrada com 200 metros de lado e reunindo à sua volta: edifícios diversos (nomeadamente as propriedades dos mais influentes aristocratas), jardins, pátios e mesmo uma espécie de jardim zoológico.
De seguida, apresentamos uma tabela com o nome dos imperadores astecas:



Imperador (tlatoani)
Era de Governação
Feitos/Acontecimentos
Acamapichtli
1376-1395
Era provavelmente oriundo de Culhuacán. Submeteu várias tribos do Vale do México, após campanhas militares bem-sucedidas. São conquistadas várias terras, nomeadamente Tenayuca, Culhuacán, Xoch Milco e Cuauhnáhuac.
Huitzilíhuitl

1396-1417
Prossegue com a política expansionista: toma Chalco e Cuautitlán. Ditou a aplicação de novas leis.
Chimalpopoca

1417-1427
O seu reinado foi débil e pouco consensual. Foi mesmo morto na sequência duma rebelião.
Itzcóatl 
1427-1440
Responsável pela formação da tripla aliança. Tenochtitlán consegue obter o auxílio de Texcoco (liderado por Nezahuatlcóyotl) e de Tlacopán (cidade tepaneca dissidente governada por Totoquilhuaztli) para assim derrotar os tepanecas de Azcapotzalco. Esta última acaba saqueada e destruída, com alguns dos sobreviventes a seguirem o destino da escravatura.
Conquistou ainda as cidades-estado de Mixcoac, Atlacohuayan, Huitzillopochco, Teotihuacan, Otompan, Coyohuacan, Míxquic , Culhuacán, Cuitláhuac...
Empreendeu uma importante reforma religiosa, onde, por exemplo, valorizou a promoção dos rituais sanguíneos.
Mandou erguer um aqueduto de forma a abastecer com água os habitantes de Tenochtitlán.
Moctezuma I
1440-1469
O grande soberano por excelência. Fortaleceu o seu poder enquanto “tlatoani” e “tlacatecuhtli”, imperador e chefe supremo respectivamente. Impõe-se face às cidades-estado de Chalco e Tepeaca, e ainda apodera-se das zonas de Guerrero, Hidalgo, Puebla, Oaxaca e uma boa parte de Veracruz.
Teve ainda de enfrentar uma grave crise económica (que se traduziu numa grande fome vivida entre 1450-1454) motivada por catástrofes naturais.
Aumento o território da Tripla Aliança e aplicou novos impostos nas regiões recém-conquistadas, o que favoreceu um crescimento mais notável de Tenochtitlán.
A construção do Templo Maior foi iniciada ainda no seu reinado.
Axayácatl

1469-1481
Ocupou terras no vale de Toluca e as zonas de Cacaxtla, Tlatelolco. Mandou talhar a pedra do Sol.
Tízoc
1481-1486
Demasiado dedicado à vida religiosa, não se destacando no plano militar. Procurou educar as terras conquistadas, e não conquistar novas cidades. Morreu provavelmente envenenado, cessando um curto mandato sem grande prestígio.
Ahuízotl
1486-1502
Grande conquistador. Tomou a região zapoteca, Veracruz, Tehauantepec, alcançando os limites do Guatemala. Favoreceu o crescimento da capital Tenochtitlán, urbanizando a cidade, construindo grandes palácios e templos, muito graças às riquezas e produtos que aí afluíam.
Foi a ele que se deveram as cerimónias mais sangrentas da era asteca, em que foram sacrificados muitos milhares de prisioneiros de guerra (só no primeiro ano de reinado, mandou sacrificar entre 20 mil a 80 mil homens), oferecendo-os a várias divindades como forma de as adorar e comemorar as suas vitórias.
Moctezuma II
(Xocoyotzin)
1502-1520
Venceu os Mixtecas de Oaxaca e apoderou-se do vale de Puebla.
Detido pelos recém-chegados conquistadores espanhóis, nos quais confiou ingenuamente, acabaria poucos dias depois por morrer em condições ainda pouco precisas (talvez vítima da indignação do seu próprio povo que não lidou bem com a intimidade que demonstrara perante os novos invasores).
Cuitláhuac
1520
Depois do massacre de vários nobres astecas no Templo Maior de Tenochtitlán perpetrado cruelmente pelos espanhóis, encabeçará o levantamento contra os invasores, e procura a todo o custo defender a capital Tenochtitlán.
É um dos responsáveis pelo célebre episódio da “Noite Triste” que causou a morte de centenas de espanhóis, também eles surpreendidos quando se procuravam retirar da cidade para reorganizar as suas forças.
O seu reinado durou talvez 80 dias, pois morreria devido a varíola, doença introduzida pelos colonizadores europeus e desconhecida na América de até então.
Possuía a coragem que o seu antecessor não tinha revelado. Com ele, desapareceriam as já remotas esperanças de conseguir resistir a um inimigo tão bem preparado.
Cuauhtémoc
1520-1521
Último soberano asteca. Tinha apenas 18 anos quando subiu ao trono. Foi capturado pelos espanhóis. Ofereceu a sua faca para que Hernan Cortés o matasse. Mas acabaria antes por ser torturado, com os seus pés a serem mesmo queimados. Foi mais tarde enforcado através da acusação dum alegado envolvimento seu numa conspiração contra os espanhóis.

Tabela nº 1 - Os 11 tlatoanis que dominaram o Império Asteca.






Mapa nº 2 - A cidade de Tenochtitlán situava-se numa ilha do lago Texcoco, sendo que alguns canais percorriam o seu interior, assemelhando-se a uma Veneza mexicana.
Mapa retirado do Wikipédia




Imagem nº 4 - A grande cidade de Tenochtitlán.
Quadro da autoria de Diego Rivera (1886-1957)




Imagem nº 5 - Itzcóatl (1427-1440), grande imperador asteca, responsável pela criação da Tripla Aliança e por muitas conquistas territoriais.
Retirada de: http://gabrielherrera.deviantart.com/art/Itzcoatl-159515941, (desenho da autoria de Gabriel Herrera).




Imagem nº 6 - Cuitláhuac, penúltimo tlatoani (1520). Apesar de ter governado apenas 3 meses, ficou conhecido pela resistência corajosa que empreendeu perante os poderosos invasores espanhóis, procurando defender Tenochtitlán e combatendo pelo seu povo.
Retirada de: http://www.taringa.net/posts/apuntes-y-monografias/15254501/Cuitlahuac.html



A Cultura Asteca


Os traços culturais desta civilização pautaram-se pela/o:

  • Desenvolvimento da arquitectura, esta espelhada na construção de edifícios de elevadas proporções. 
  • Divulgação da escultura em pedra caracterizada pelo seu simbolismo e ainda relacionada com as necessidades religiosas (produziram-se imagens de divindades), embora não tenham conseguido, nesta área, alcançar o nível de estrelato dos Maias.
  • Aplicação da pintura mural.
  • Confecção de tecidos e adornos de plumas (escudos, coroas e diademas).
  • Estabelecimento do mosaico de pedras miúdas.
  • Aposta no comércio. Os mercados existentes permitiam a troca de produtos exóticos, fossem eles bens materiais ou géneros alimentares. Em relação aos primeiros, podemos destacar o algodão, a borracha, peles de jaguar e veado e plumas de quetzal, tabaco, copal, ouro, jade, turquesas, armas, vestidos, jóias... No que diz respeito aos segundos, não podemos deixar de mencionar o milho, cacau, tomate, baunilha, mel, sal, entre outros. Nesta vertente económica, os astecas parecem ter sido mais avançados em relação aos maias. Desta forma, também se promoveu o intercâmbio de ideias e informações entre as diferentes regiões do Império.
  • Disposição duma organização militar. Era prática comum o recurso a companhias de combatentes constituídas por uma força que habitualmente compreendia entre 200 a 400 homens, liderados por chefes militares especializados. Destaque para a formação dos cuacuauhtin, composta pelos cavaleiros-águias e tigres, constituindo uma elite habilmente treinada e talhada para o palco de batalha. Contudo, a existência deste grupo não nos permite afirmar que o exército seria, na sua totalidade, profissionalizado. Aliás, muitas vezes tinham que ser convocados vários membros do povo para determinadas expedições, às quais não estavam, de todo, habituados.
  • Prática habitual do Jogo da Péla que integrava rituais de sacrifícios humanos para os derrotados.
  • Presença da dança, canto, poesia e música que conheceram uma notável difusão social.
  • Criação do seu próprio calendário, dum sistema de numeração vigesimal e duma escrita pictográfica (com o desenho de episódios nos códices).
  • Pensamento pessimista e fatalista: a iminência da morte está sempre presente.



Imagem nº 7 - Pirâmides astecas em Teotihuacán
Retirada de: https://www.flickr.com/photos/sandracappuccio/2666382862/, (foto da autoria de Sandra Cappuccio).



Imagem nº 8 - A Pedra do Sol asteca, um exemplar artístico.



Imagem nº 9 - A civilização afirmou-se na zona norte e central do México.



aztec knight of the jaguar

Imagem nº 10 - O guerreiro-tigre/jaguar asteca que se destacava nas elites de combate.
Retirada de: http://www.pinterest.com/pin/426434658438917400/ (Lutin Tamarh).





Imagem nº 11 - Estatueta dedica a uma divindade asteca - Coatlicue (Deusa da Vida e da Morte, e considerada mãe dos deuses).




A Queda do Império Asteca


Em 1492, Cristóvão Colombo atingiria as Antilhas. A partir desse ano, intensificaram-se naturalmente as explorações e as expedições destinadas a controlar os novos espaços recém-descobertos deste continente até então desconhecido pela população europeia.
A 18 de Fevereiro de 1519, a armada espanhola deixava Cuba e rumaria em direcção à parte continental. Após o desembarque, o primeiro confronto guerreiro dá-se em Tabasco onde os índios locais são derrotados mediante a superioridade técnica espanhola. Hernan Cortés era o responsável pelo comando, um general autoritário que já tinha precavido os seus soldados para eventuais emboscadas, para além de defender a utilização de roupas de algodão acolchoado (para evitar ou atenuar, ao máximo, a penetração das flechas inimigas no corpo dos seus militares) e o recurso à artilharia, espingardas e balestas de forma a aterrorizar e dispersar os seus inimigos. Entretanto, dois dos seus destacamentos, lançados para reconhecer ou explorar totalmente aquela região, são atacados. Contudo, os espanhóis, com recurso à cavalaria, conseguiram voltar a repor a ordem, forçando os nativos a reconhecerem a sua hegemonia.
Pouco tempo depois, a armada de Cortés chegava a São João de Ulúa, onde se depararam com os primeiros embaixadores enviados pelo imperador asteca Moctezuma II. O general espanhol mandou dizer que o seu rei, o mais poderoso do mundo, tinha a intenção de fazer as pazes com o soberano daquela terra. Houve inclusive, nesta altura, troca de presentes.
Contudo este cenário amistoso não perduraria por muito mais tempo. Cortés começou a encetar íntimos contactos com os povos submetidos à força pelos astecas (foi por exemplo o que aconteceu com os totonacos de Cempoala). Mas o general e capitão espanhol era hábil, e procurava não dar muito nas vistas, esperando que a sua discrição fosse suficiente para não irritar Moctezuma II que poderia recusar-se a recebê-lo, caso tivesse conhecimento dos seus jogos políticos.
A 16 de Agosto de 1519, os hispânicos saem de Cempoala com 400 peões, 15 ou 16 ginetes e 6 peças de artilharia. Em Vila Rica, deixariam uma guarnição de 150 homens, de forma a controlar os totonacos que já haviam reconhecido a soberania espanhola.
Cortés não cessa de procurar novos aliados, até porque o seu exército, embora bem equipado, estava longe de ser suficiente, em termos numéricos, para conseguir derrubar e anexar o Império Asteca. Nesse sentido, e apesar de alguns imprevistos, consegue empreender contactos com as tribos de Tlaxcala, célebres inimigos dos mexicas. Ao mesmo tempo, sucedem-se as embaixadas enviadas pelo soberano asteca que tenta oferecer novos presentes ao general espanhol e que ainda revela a disposição de pagar um tributo ao rei de Castela.
Com a ajuda preciosa dos seus novos aliados Tlaxcaltecas e Cempoalenses submete a cidade de Cholula, localizada já não muito longe da capital Tenochtitlán. Milhares de indígenas morreriam neste episódio sangrento da conquista espanhola. Cortés já poderia seguir triunfantemente até à capital, sem encontrar grande resistência pelo caminho.
Moctezuma II prosseguia com as suas acções ingénuas, insistindo no envio de embaixadas de luxo para presentear e impressionar o general espanhol, cujos feitos recentes (talvez ainda não conhecidos na totalidade pelo imperador asteca) indiciavam o fim do ciclo hegemónico daquela civilização.
Tenochtitlán possuía ruas de terra, mas igualmente canais que percorriam o seu interior. No seu centro, continha palácios reais e casas dos nobres. Havia abundância de árvores e jardins. O comércio era visível, com mais de 60 mil pessoas a frequentarem o seu importante mercado. Nas periferias, vivia o povo que estava sujeito às zonas mais pantanosas junto ao Lago Texcoco que circundava a cidade.
Os primeiros contactos entre Moctezuma e Cortés são pacíficos, procedendo-se a nova troca de presentes. O tlatoani acredita mesmo que tinham acabado de chegar os "deuses brancos" (acreditava-se que Cortés seria Quetzacoatl cujo regresso era anunciado há anos pelos sacerdotes mexicanos) e por isso, tinham de ser tratados com a maior das honras. Este imperador asteca revelaria indecisão e fragilidade nos momentos fulcrais, deixando iludir-se facilmente pelas aparências. Como já disséramos, não hesitará em reconhecer a soberania do rei de Espanha, estando disposto a pagar tributos a este. Os espanhóis presentes já na capital não hesitarão em apoderar-se dos tesouros (peças de ouro e prata, plumas, pedras..) que esta região armazenava. Um quinto (o quinhão) seria entregue ao rei de Espanha, outro seria para Cortés, e ainda sua hoste seria contemplada com uma pequena parte.
Cortés decide ir mais longe, e agora tem a intenção de acabar com a idolatria asteca, destruindo as imagens de Huitzilopochtli e Tlaloc no templo maior, e colocando no seu lugar a figura de Nossa Senhora e um retábulo de São Cristóvão. Evidentemente que este episódio causou bastante confusão e indignação nos indígenas que, surpreendidos e aterrados, assistiram a esta ousadia dos espanhóis.
Moctezuma, também ele descontente, consulta os seus sacerdotes que reprovam o acto e exige a Cortés e aos seus homens para que se retirem de Tenochtitlán. Aquele líder espanhol teve mesmo de se ausentar com uma parte do seu contingente, mas sobretudo por causa dum diferendo que mantinha com Diego Velázquez (Governador espanhol de Cuba) que enviara ao seu encontro uma expedição comandada por Pánfilo de Narváez com o intuito de o prender e levar a Cuba. Cortés levará a melhor e consegue mesmo aumentar a sua armada, regressando posteriormente a Tenochtitlán.
Quando aí retorna, depara-se com as ruas desertas e um enorme silêncio. Efectivamente, a situação descontrolara-se. A revolta popular já tinha sido iniciada. Pedro de Alvarado, oficial espanhol que aí ficaria temporariamente a comandar até ao regresso de Cortés, foi responsável pelo episódio da Matança do Templo Maior (20 de Maio de 1520), onde vários nobres, sacerdotes e veteranos de guerra astecas foram surpreendidos por um ataque espanhol que se traduziu num autêntico banho de sangue, quando decorria um importante cerimonial de culto aos deuses mexicanos. Os espanhóis fecharam as portas do templo, e lançaram-se com fúria contra os senhores mexicanos que aí dançavam totalmente desarmados. Neste episódio, terão perecido milhares, e até o imperador Moctezuma foi detido, com o estatuto de refém estratégico que seria utilizado para procurar acalmar o cenário de rebeldia, o que era essencial para a própria protecção da armada espanhola. Contudo, a população revoltou-se perante tal acto aleivoso que vitimou sobretudo a classe dirigente asteca. A capital passou a um autêntico estado de sítio. O pequeno destacamento comandado por Pedro de Alvarado começou a sentir na pele a ira dos nativos.
Entretanto, Cortés, reassumindo a liderança no seu retorno, pediu a Moctezuma que falasse novamente ao seu povo para o apaziguar. Terá sido neste momento que o imperador asteca foi vaiado e apedrejado pelos seus súbditos que não compreendiam a intimidade e a complacência deste para com os invasores europeus, cujos abusos estavam a horrorizar a população local. Outras teorias, embora menos credíveis, referem que ele foi morto pelos espanhóis, enquanto estava detido.
A morte de Moctezuma, cuja ingenuidade havia sido fatal, abriu uma nova vaga para a sucessão. Os espanhóis tentam interferir na nomeação e exigem, sob pena de destruição da capital asteca, a nomeação dum primo do anterior imperador, o qual já se deixara influenciar pelas directrizes dos invasores. Evidentemente, os astecas não fizeram a vontade a Cortés (não caíram na armadilha!), e nomearam antes um irmão do imperador falecido - Cuitláhuac que agora era seguido pelo seu povo, tomando o partido da resistência total face aos novos conquistadores. Este estava disposto a combater pela sua causa, não confiando nas alegadas intenções amistosas ou diplomáticas dos espanhóis. A sua missão passaria por expulsá-los definitivamente daquela região, procurando proteger Tenochtitlán. Um objectivo exigente, já que os astecas não possuíam o poderio militar dos espanhóis que ainda contavam com o apoio de importantes exércitos indígenas que estavam ansiosos por derrubar a hegemonia daquela civilização. Aliás, muitos dos nobres da capital asteca já haviam falecido no massacre do templo maior. Cuitláhuac não tinha pois grandes apoios no âmbito militar, excepto a numerosa população civil que estava disposta a lutar contra a conjuntura nefasta que estava a abater-se sobre o seu território. Mesmo assim, nada demoverá o novo imperador de planear a vingança de forma a punir os abusos já cometidos pelos invasores contra o seu povo.
Os espanhóis, com escassos recursos alimentares, são atacados por todos os lados, e retiram-se da capital asteca (abandonam o palácio de Axayácatl pela calada da noite, onde se haviam refugiado nos últimos dias) isto sem antes sofrerem consideráveis dissabores, pois daí resultará o episódio da Noite Triste (30 de Junho de 1520), no qual tombaram, pelo menos, quatro a oito centenas de soldados espanhóis e 2 000 dos seus aliados nativos. A maior parte dos tesouros acumulados que transportavam perderam-se irremediavelmente. Hernan Cortés tinha sofrido uma estrondosa derrota e, segundo alguns autores, teria mesmo chorado a morte de muitos dos seus companheiros que não conseguiram ser bem sucedidos no inglório esforço de retirada. Por seu turno, Cuitláhuac e os contingentes que lhe eram fiéis poderiam ter somado uma vitória moralizadora e decisiva, não fosse o azar do imperador ter morrido pouco tempo depois devido à propagação da varíola, introduzida involuntariamente pelos conquistadores europeus neste novo continente. Para além do imperador, milhares de astecas terão perecido por causa desta praga que acabou por se transformar numa aliada incondicional de Hernan Cortés.
Depois da retirada penosa em Tenochtitlán, o maltratado exército hispânico chega ao ponto de se alimentar dum cavalo morto, o que revela a sua nova situação confrangedora. Mesmo assim, as tropas recuperam a sua motivação quando no dia 7 de Julho derrotam um grande exército asteca, tendo sido morto o seu cihuacóatl - Matlatzincátzin  às mãos de Cortés e de João de Salamanca. Após terem conhecimento da morte deste alto responsável militar, as restantes tropas indígenas decidiram retirar-se, em vez de prosseguir com a ofensiva, aproveitando a sua superioridade numérica e o desgaste do adversário - tal fora um grave erro estratégico, pois apesar da bravura e superioridade em termos de artilharia, os espanhóis e seus aliados tribais estavam em número bastante inferior. Apenas não se tinham rendido inicialmente porque sabiam que se o fizessem, a sua vida não seria poupada pois seriam alvo de sacrifícios humanos (o que por exemplo, tinha acontecido a alguns dos seus compatriotas que não conseguiram escapar de Tenochtitlán) e por isso, preferiram combater até à exaustão, e acabaram por ser premiados pela sua coragem e conhecimento superior da táctica militar.
Cortés voltará a Tlaxcala, agindo diplomaticamente de forma a reunir novamente o apoio militar deste povo. Nos inícios de Setembro, já ocupa Tepeaca e outros territórios à volta. No dia 31 de Dezembro de 1520, toma Texcoco, uma das três cidades da confederação asteca, sem encontrar resistência. O capitão espanhol ordena ainda a construção de bergantins (navios de guerra) de forma a assegurar o domínio da lagoa de Texcoco que albergava a ilha onde estava inserida a cidade de Tenochtitlán. Por outro lado, os espanhóis recebem, a partir de navios europeus que aportavam na costa mexicana, novos reforços e materiais (peões, besteiros, espingardeiros, ginetes e ainda peças de artilharia) para empreender o ataque final. Cortés soubera ainda fomentar o ódio aos astecas e por isso, conseguiu contar com a ajuda de vários combatentes das tribos indígenas inimigas do império.
Dentro deste contexto, começava a fechar-se o cerco à capital asteca. A partir do dia 26 de Maio, as provisões deixariam praticamente de entrar na cidade, enfraquecendo assim os nativos locais que nunca tinham lidado com uma situação semelhante (a guerra de cerco era talvez desconhecida, ou pelo menos, não tão apurada ou desenvolvida na América pré-colombiana). Os astecas começaram a sentir-se abatidos física e psicologicamente, e finalmente a 13 de Agosto de 1521, o último imperador, o jovem Cuauhtémoc, é capturado e acabaria mesmo por ser torturado pelos espanhóis sedentos de tesouros e do maior bem material - o ouro. Seria executado a mando de Cortés em 1525, sob a acusação infundada de ter conspirado entretanto contra a liderança dele. Os novos governadores de Tenochtitlán passariam a ser nomeados pelos espanhóis que controlariam agora os acontecimentos na região a seu belo prazer.
Durante o cerco de Tenochtitlán, é necessário mencionar que terão perecido cerca de 200 mil astecas, entre guerreiros e civis, vítimas dos combates sangrentos, das pestes (nomeadamente a varíola) e da fome. Os espanhóis também sofreram algumas baixas, terão perdido entre 450 a 860 soldados (alguns foram mesmo capturados e imediatamente ceifados em rituais de sacrifícios humanos), isto para além dos seus aliados indígenas de Tlaxcala, talvez mais expostos nos momentos da ofensiva, terem sofrido cerca de 20 000 baixas.
Em suma e para o processo de conquista do Império ser bem sucedido, Cortés teve de recorrer a informadores indígenas e a intérpretes para conhecer os truques, os segredos e os caminhos mais seguros do novo território, soube manejar e motivar as suas tropas nos momentos mais adversos, utilizou tácticas de combate modernas, usufruiu da diplomacia para fomentar as divisões entre os indígenas, lançando-os uns contra os outros, e impôs o seu carisma autoritário.
A região que correspondia ao actual México passaria assim para o domínio espanhol (algo que perdurará até aos inícios do século XIX), nos seus primeiros tempos conotado com a Lenda Negra. Muitos índios seriam mortos pela avidez de muitos conquistadores espanhóis que esqueceram os ensinamentos cristãos, promovendo a escravatura e honrando a nova divindade do Ouro. Evidentemente, nem tudo foi negativo. Através da miscigenação, promoveu-se o intercâmbio cultural e económico (assente na troca de novos produtos exóticos, uns desconhecidos por europeus, outros pelos americanos). O Cristianismo na América Espanhola expandiu-se, muito devido a missionários fiéis à sua religião e à defesa que encetaram corajosamente em prol dos direitos dos índios. Foram os casos de António de Montesiños ou até do célebre Bartolomé de Las Casas que denunciaram mesmo vários dos abusos cometidos sobre estes povos humildes e inocentes que tinham de ser cristianizados, pelo amor e pela paz, nunca pelo ódio, pela ganância ou pela violência.





Imagem nº 12 - A matança perpetrada no Templo Maior, ordenada pelo oficial Pedro de Alvarado. Os soldados espanhóis bloquearam as saídas do templo e massacraram a desarmada elite dirigente asteca de Tenochtitlán que aí dançava nos rituais de adoração aos seus deuses.





Imagem nº 13 - A reacção asteca ao episódio do massacre foi imediato, culminando na retirada sangrenta dos espanhóis na célebre "Noche Triste". Várias flechas sobrevoaram os destacamentos de Cortés que desesperadamente fugiam da capital - Tenochtitlán, recorrendo à construção duma ponte móvel.




Imagem nº 14 - Os últimos dias do cerco espanhol a Tenochtitlán, célebre capital do império asteca (1521). A cidade "lagunar" transformara-se agora num cemitério de elevadas dimensões.
Quadro da autoria de William de Leftwich Dodge (1867–1935)



Imagem nº 15 - A tortura empreendida sobre Cauhtemoc, último imperador asteca, perante o olhar atento de Hernán Cortés.
Quadro da autoria de Leandro Izaguirre (1867 - 1941)





Referências Consultadas:



quarta-feira, 30 de julho de 2014

O Legado dos Maias

Contexto Temporal e Geográfico

Os Maias, os Incas e os Astecas constituem as três grandes civilizações pré-colombianas (ou seja, já existiam antes da chegada de Cristóvão Colombo) que atingiram o maior grau de desenvolvimento no Continente Americano. Apesar de terem partilhado muitas práticas semelhantes, a verdade é que pretenderemos agora abordar o caso concreto dos Maias.
As origens deste misterioso povo remontariam a 500 a. C. e o término do seu império situar-se-á talvez nos séculos VIII ou IX. Estamos perante uma baliza cronológica de quase 1500 anos. Os seus domínios alastravam-se desde o Guatemala até uma grande parte do sul do México, destacando-se assim na região que praticamente corresponde hoje à América Central.
As principais cidades-estado maias eram: Piedras Negras, Palenque, Tikal, Yaxchilán, Copán, Chichen Itzá, Uxmal e Labná.




Imagem nº 1 - Mapa onde se pode ver a tracejado vermelho a região onde estava concentrada a civilização maia. Actualmente, esta extensão incorpora o Guatemala, Honduras, Belize, El Salvador e Sul do México.



A Sociedade e Economia Maia


Os Maias possuíam a sua própria estratificação social. No topo, estavam evidentemente o soberano e sua família que tutelavam os destinos de cada cidade independente. O monarca era divinizado visto que a sua personalidade era parte integrante do cosmos universal e, por isso, tornava-se num senhor absoluto, para além de ser visto como um emissário do espaço celestial (era um mediador junto dos deuses) e dono dos homens e das terras. O seu cargo era transmitido hereditariamente por sucessão masculina directa.
Seguiam-se depois as linhagens nobiliárquicas que detiveram o prestígio sacerdotal, impuseram ainda a sua autoridade sobre núcleos residenciais (ou centros menores) e revelaram assim a sua vocação dirigente. Por outras palavras, a nobreza-sacerdotal contribuía para a manutenção da ordem e zelava ainda pela faceta religiosa. Normalmente, era constituída por familiares do monarca que acumulavam neste sector aristocrata os principais cargos administrativos, políticos, militares ou religiosos na cidade-estado. Eram eleitos pelo rei. Conhecem-se alguns dos cargos ocupados: Batah (chefe local de designação real), Ah Cuch Cab (regedor que cobrava tributos e prestações de serviços), Halpop (delegado do poder real para conselho nas assembleias locais e encarregado das relações com centros vizinhos), Tupil (polícia vigilante da ordem nos povoados), Nacom (chefe temporário do exército), Ahau cati (sacerdote principal - cargo hereditário), Chilam (espécie de sacerdote popular que profetizava). Para além destes ofícios, também os mercadores (transmitiam sempre o cargo aos seus descendentes) integravam a linhagem nobre, sendo que esta tinha ainda acesso aos estudos astronómicos, médicos e científicos em geral.
O povo, correspondente à maior parte esmagadora da população total, tinha que se submeter a esta ordem social e religiosa. Aqui estavam inseridos os camponeses, oleiros, escultores, pedreiros, carpinteiros, pintores, tecelões, escribas e até muitos dos guerreiros que participavam em acções de conquista ou nos confrontos entre as cidades independentes.
Por fim, e no fundo desta hierarquia, estariam os escravos (domésticos, ao serviço das principais famílias; ou reduzidos a esta posição através duma pena firmada por delitos cometidos; ou capturados em guerra) que constituíam uma mão-de-obra a ter em conta.
A ascensão social era diminuta ou quase inexistente, tal como constatamos nas restantes civilizações das eras antiga e medieval. A hereditariedade ditava o futuro de qualquer pessoa. Por exemplo, o filho dum agricultor seguiria pois mais tarde as pisadas do seu progenitor.
A propriedade da terra maia era comunitária, e seria o chefe da aldeia que determinaria a parcela que seria atribuída a cada família que, normalmente, dispunha da sua pequena horta.
Efectivamente, em termos agrícolas, conheceram-se algumas plantações estáveis de algodão, cacau, tabaco, milho, feijão, cabaça, juca, pimento, tomate, sapota, pasto, frutos vários, sementes e tubérculos silvestres. Os Maias recorriam ainda à caça, pesca e exploração de colmeias.
O comércio era rudimentar, e por isso, não existiam praticamente grandes mercados locais. Por isso, o intercâmbio de produtos parecia ser bastante limitado.
Em termos religiosos, a sociedade maia acreditava numa ordem superior, valorizava o estudo e a interpretação do cosmos, nomeadamente o movimento dos astros, e debruçava-se sobre as artes de adivinhação e profecia. Os principais deuses adorados eram: Itzam Na (Deus criador do céu e da terra, ora representado como um réptil ora na sua forma humana como ancião), Kinich Ahau (Deus do Sol), Ix Chel (Deusa da Lua e protectora das relações sexuais, da procriação e dos partos), Chac (Deus da Chuva) Ah Mun (Deus do Milho), Ah Puch (Deus da Morte representado como um esqueleto com manchas negras e amarelas, de influência maligna), Tox (Deus da Guerra), entre outros. Decorriam mesmo sacrifícios humanos de forma a agradar a estas divindades superiores, muitas delas conotadas com a Natureza.




Imagem nº 2 - O Deus Criador do Céu e da Terra, na perspectiva dos Maias.
Retirada de: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Itzamna-Lawrie-Highsmith.jpeg, a escultura foi da autoria do artista Lee Lawrie (1877–1963).




Imagem nº 3 - A Civilização Maia obedecia a uma hierarquia social rígida.



Cultura Maia

A civilização maia evidenciou-se, de entre as culturas do Novo Mundo (ou do continente até então escondido aos olhos dos europeus), em variadas vertentes:

- Desenvolveram a Escrita Hieroglífica que assentaria em relevos, pinturas e códices. Esta estaria mais conotada com o contexto sagrado.
- Instauraram um Calendário rigoroso de 365 dias que resultava da vasta experiência na observação dos astros, demonstrando assim, nesta área, uma interpretação avançada em comparação com outros povos antigos.
- Promoção duma Arquitectura que proporcionou a existência de grandes edifícios. Foram erguidos templos piramidais, palácios, residências para as elites, altares sobre plataformas e outras estruturas curiosas,
- Construíram-se ainda aquedutos, reservatórios, saunas, calçadas de pedra em plena floresta, fossas e trincheiras.
- Dinamizou-se a Escultura que servia de veículo para a glorificação do monarca e expressão da sacralidade. Encontramos estelas, altares, lápides, dintéis, planos verticais, jambas, tronos, estatuetas de divindades e figuras humanas/animais, e imagens zoomórficas.
- Estimularam a Pintura que dispunha de variados cenários murais em palácios e pirâmides.
- Mantiveram a Cerâmica com grande diversidade formal. Foram encontradas peças de quatro pés, pratos, taças e vasos cilíndricos. Estava frequentemente conotada com o culto real.
- Aplicaram a música (foram achados instrumentos de sopro e percussão), os cantos religioso e festivo, e a dança.
- Desenvolveram um sistema de numeração que já incluía o conceito "zero".
- Praticaram jogos de bola, nomeadamente o jogo da péla. O objectivo passaria pela utilização duma bola de borracha que teria de atingir o aro ou os marcadores do jogo. Caso o participante fracassasse, seria executado. Muitas cabeças foram decapitadas em jeito de ritual de sacrifício humano, e estas até chegaram a ser utilizadas para substituir a bola de borracha no decurso da partida.



Imagem nº 4 - Os Maias possuíam a sua própria escrita que se pautava pelo seu simbolismo. Esta placa encontra-se no Museu das Ruínas de Palenque - Chiapas (México).
Retirada de: http://historiasylvio.blogspot.pt/2012/11/maias.html, (Imagem: 1000dias.com)




Imagem nº 5 - Códice Maia guardado no Museu Nacional de Antropologia - Cidade do México (México).
Retirada de: http://historiasylvio.blogspot.pt/2012/11/maias.html, (Imagem: 1000dias.com)



Imagem nº 6 - Estelas Maias situadas nas Ruínas de Copan, quase na fronteira entre as Honduras e o Guatemala.




Imagem nº 7 - O aro lateral ou anel de pedra do jogo da péla. A bola tinha de entrar no meio para que o participante fosse pontuado. Este jogo de bola mesoamericano estava associado ao ritual religioso.




Imagem nº 8 - O jogo de bola maia determinou o destino de várias vidas.





Imagem nº 9 - Pirâmide Maia de Chichen Itza (estado de Yucatán - México).
Retirada de: http://beautifulplacestovisit.com/ruins/chichen-itza-yucatan-mexico/, (foto da autoria de Raúl López/Tony Shuck).



Imagem nº 10 - Cidade Maia de Tikal (Guatemala).



Fim do Império Maia

Corria o século IX, quando, em pouco tempo, todas as cidades-estado maias foram abandonadas, excepto as da região norte de Yucatán. Ao contrário do que muitos possam julgar, a civilização maia não desapareceu totalmente, até porque ainda hoje existem tribos descendentes. Mas o Império Maia, esse sim, sumiu de vez.
Ainda hoje se debatem as causas reais que levaram ao declínio imediato e misterioso desta civilização. Podemos avançar algumas hipóteses para o sucedido (cremos que até poderá ter sido a conjugação de todas elas):


  1. Uma longa e destrutiva Seca - Esta teria arrasado facilmente com a maior parte das colheitas, gerando a miséria, fome e grande descontentamento nas comunidades.
  2. Doenças e Pestes - Com a vulnerabilidade no campo alimentar, seria imediata a propagação de enfermidades. A medicina maia era ainda pouco avançada.
  3. Guerras Internas Sangrentas - O descontentamento popular e a ausência da capacidade de resposta, terá propiciado várias revoltas contra os grupos dirigentes. As premissas sociais, outrora intocáveis, começaram a ser colocadas em causa.
  4. Invasões Estrangeiras - Tirando proveito do declínio maia, os povos vizinhos e inimigos avançaram para ocupar novas terras.
  5. Abandono voluntários de muitos maias. Estes tentam escapar ao destino obscuro que possivelmente até teria sido "anunciado" pelos ciclos temporais.
  6. Explosão demográfica resultante dos séculos anteriores. Poderá ter levado ao esgotamento das terras e recursos, e motivado ainda conflitos civis nesta fase atribulada.
  7. A prática da antropofagia (canibalismo) e sacrifícios humanos. Embora este factor não seja por si só suficiente para determinar a decadência dos maias (até é, a nosso ver, um dos factores que teria menor impacto), a verdade é que, mesmo assim, poderá ter tido algum peso. Estas práticas poderão ter aumentado consideravelmente nos tempos mais críticos, de forma a que conseguissem atrair desesperadamente a ajuda divina para contornar a conjuntura cada vez mais nefasta. Para além disso, as guerras internas pareciam ter-se tornado numa prática constante, o que favorece a utilização de prisioneiros para tais fins.

Os Maias, apesar do término do seu auge, deixariam um marco incontornável na História Mundial. Os seus monumentos atestam o esplendor doutros tempos.



Imagem nº 11 - Os períodos de instabilidade vividos por volta de 900 d. C. (séc. IX d. C.) determinaram o desaparecimento do Império Maia.


Referências Consultadas:



Notas Extra:

1- As balizas cronológicas adoptadas para a existência da civilização e império maias motivam ainda várias discussões. Também encontramos autores que situam as origens dos maias algures no decurso do segundo milénio a. C. e que prolongam ainda a sobrevivência de algumas tribos maias até à chegada dos espanhóis. Ou seja, ainda há muito para descobrir em relação a esta civilização.

2- Apesar de utilizarmos o termo "Império", é certo que cada cidade-estado maia era independente e possuía o seu próprio soberano, todavia ao utilizarmos o vocábulo em cima mencionado, estamos efectivamente a referir-mo-nos a todos os aglomerados maias que existiam naquela região da América Central e que partilhavam assim costumes e tradições idênticas. Foi efectivamente este largo conjunto de cidades autónomas que fez perdurar, por muito tempo, esta cultura enigmática.